Minha história
Por lentes diferentes: meu diagnóstico de TEA e TDAH aos 34 anos
Por muito tempo, tentei me encaixar.
- TEATranstorno do Espectro Autista
- TDAHDéficit de Atenção e Hiperatividade
Antes do diagnóstico
Tentei acompanhar o ritmo dos outros, corresponder às expectativas e silenciar partes de mim que pareciam não caber no mundo. As dificuldades persistentes de atenção, organização, aprendizagem e adaptação à rotina sempre estiveram presentes, mas nem sempre foram compreendidas.
Aos 34 anos, uma chave
Aos 34 anos, recebi os diagnósticos de TEA e TDAH. O que poderia ser visto apenas como um rótulo tornou-se uma chave: uma chave que abriu portas para a compreensão, o acolhimento e a liberdade.
Passei a olhar para minha história com mais gentileza. Entendi que muitas dificuldades estavam relacionadas às minhas características, às funções executivas, à forma como aprendo, percebo o mundo e me adapto às demandas do cotidiano.
Hoje, compreendo que nunca fui “demais” ou “de menos”. Eu apenas enxergava e vivenciava a vida por lentes diferentes.
O que o diagnóstico mudou em mim
Esse diagnóstico não define tudo o que sou, mas me ajudou a compreender minhas potencialidades, minhas necessidades e os caminhos que fazem sentido para mim. Também me permitiu iniciar um processo de cura da culpa, aceitação, fé e coragem para viver com menos mascaramento e mais autenticidade.
Um novo olhar no consultório
Essa experiência também transformou a forma como exerço minha profissão. Hoje, consigo reconhecer, com mais sensibilidade, sentimentos e dificuldades que muitas pessoas não conseguem expressar em palavras. Muitas vezes, percebo sinais por trás do silêncio, da sobrecarga, da desorganização ou da dificuldade de adaptação.
Isso não significa presumir que todas as pessoas vivenciam as mesmas experiências, mas me permite escutar com mais empatia, acolher sem julgamentos e compreender cada história em sua singularidade. A intervenção torna-se mais humana porque parte não apenas do conhecimento técnico, mas também da escuta, do respeito e da compreensão genuína sobre o que o outro pode estar sentindo.
Esta é a minha história de reencontro comigo mesma e também de transformação na maneira como acolho e acompanho outras pessoas.
A liberdade começa quando paramos de tentar ser quem não somos.